Escola Estrutural e
Escola Funcional de Psicologia
odemos perceber, no movimento filosfico pontuado at aqui, o
L        fruto da evoluo de uma lenta posio materialista que se desdobra
em uma compreenso idealista associada a idias da Igreja e que a
conscincia humana vinha sendo entendida como manifestao espiritual. Por essa razo, 
seu estudo no poderia obedecer s mesmas leis que regiam os fenmenos naturais-causais. 
A conscincia s podia ser entendida de forma diferenciada e especial.
Os filsofos vinham retratando a conscincia humana tanto como manifestao da razo 
divina como resultado das sensaes. A vida psquica era entendida como expresso de um 
mundo subjetivo especial que, para ser conhecido, necessitava de auto-observao e, 
portanto, era impossvel de ser conhecido por mtodos cientficos.
Segundo Luria (1979, p. 2), esse enfoque dos processos psquicos
atrelados a uma filosofia idealista e religiosa
 deteve a evoluo da Psicologia cientfica, e mesmo depois de os processos do mundo 
exterior se haverem tornado objeto de estudo cientfico preciso os fenmenos da vida 
psquica do Homem continuaram sendo vistos como manifestao de um
43
Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
mundo espiritual especfico, acessvel apenas  descrio sub jetiva.
A primeira estruturao sistemtica da Psicologia foi, como podemos perceber, 
profundamente amalgamada aos mtodos aplicados nos laborat rios de fisiologia. O 
contexto de pensamento no qual ela aparece formal- mente no espao da cincia era, 
basicamente, atomstico e essa viso parece bvia se lembrarmos que a Fsica estava 
discutindo o tomo; a Qumica, a molcula e a Biologia, a clula. A Psicologia tambm vai 
buscar a unidade primeira da conscincia na sensao como elemento bsico e inicial dos 
processos psquicos. Voltemos  Histria.
4.1 Escola Estrutural:
Wilhelm Wundt e Edward Bradford Titchener
No ano de 1879 foi criado o primeiro Instituto de Psicologia Expe rimental do mundo, na 
cidade de Leipzig, Alemanha, e seu fundador
chamava-se Wilhelm Wundt (1832 -1920).
A grande fonte na qual a fundao da nova cincia bebeu foi a Fisiologia. Wundt era 
mdico fisiologista num sculo em que o esprito positivista impregnava a medicina, 
dirigindo suas preocupaes e prticas numa perspectiva fortemente amparada pelo mtodo 
experimental.
No incio do sculo XIX essa tendncia confirma-se pelos registros de numerosos 
experimentos que fundamentaram uma compreenso concreta do funcionamento orgnico. 
Estudos como a velocidade do impulso nervoso, a audio, a viso, os nervos sensoriais, a 
percepo e suas nuanas, a relao quantitativa entre corpo e mente, etc.  realizados 
pelo mtodo da extirpao, clnico ou de estimulao eltrica foram gerando descobertas e 
forando o desenvolvimento de tcnicas de pesquisas cada vez mais elaboradas.
Esse movimento deu base para o surgimento da Psicologia Experi mental. As pesquisas 
realizadas nessa poca, assim como seus autores, podem ser mais bem conhecidos no livro 
de Schultz, D. P. e Schultz S. E. Histria da psicologia moderna, editado pela Cuitrix.
44
Escola Estrutural e Escola Funcional de Psicologia
Com os trabalhos experimentais desenvolvidos nos laboratrios de Wundt, foi possvel 
articular a aplicao de mtodos matemticos e
experimentais, tornando a Psicologia uma cincia autnoma e emprica.
Segundo Schultz (1992, p. 45):
 a fisiologia experimental proporcionou os tipos de experimentao que lanaram os 
alicerces da nova Psicologia. A pesquisa fisiolgica que diretamente estimulou e guiou a 
nova Psicologia foi um produto dos finais do sculo XIX [ Quatro homens so diretamente 
responsveis pelas aplicaes iniciais do mtodo experimental ao objeto de estudo da 
Psicologia: Herman von Helmholtz, Ernst Weber Gustav Fechner e Wilhelm Wundt. Todos 
os quatro eram alemes, bem treinados em Fisiologia e conscientes dos impressionantes 
progressos da Fisiologia e da Cincia em geral em meados do sculo XIX
Wundt  o primeiro homem na histria da Psicologia a ser designado como psiclogo 
 formou-se em Medicina pela Unversidade de Heidelberg e sempre interessou-se por 
Anatomia e Fisiologia, desenvolvendo uma vida acadmica voltada para a pesquisa 
fisiolgica. Portador de um temperamento grave, infatigvel e agressivo (Boring, 1950), 
estudou, como muitos de seu tempo, Fisiologia, Filosofia, Lgica e tica.
Ele pesquisou e traduziu em artigos e livros: Contribuies para a teoria da percepo 
sensorial, em edies publicadas entre 1858 e 1862; Conferncias sobre as mentes de 
homens e animais, publicado em 1863; Esboos de psicologia fisiolgica com publicao 
em duas partes, uma em 1873 e outra em 1874. Esta  considerada sua obra-prima e a base 
mais importante na Histria da Psicologia, pois neste livro a Psicologia foi conceituada 
como cincia de laboratrio, com objeto de estudo definido e mtodos de experimentao. 
Idealizou a primeira revista Estudos Filosficos e assim foi atraindo para seus laboratrios 
estudantes de vrios lugares, tornando-se respeitado e procurado no meio acadmico.
Em 1920, publicou um projeto de 10 volumes sobre o desenvolvi mento mental da 
humanidade. Linguagem, Arte, Mito, Costumes sociais, Direito e Moral foram temas desse 
impressionante trabalho chamado Pscologia dos povos. Ainda em 1920, escreveu 
Autobiografia, vindo a falecer logo ao trmino desse trabalho.
45
 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos  Wundt escreveu um total 
de 53.735 pginas, uma produo
de 2,2 pginas por dia, de 1853 a 1920. A leitura de suas obras levaria cerca de dois anos e 
meio, a um ritmo de 60 pginas dirias. Poucos homens realizaram tanto, num perodo de 
tempo to curto. (Boring, 1950)
O objeto de estudo da Psicologia Estrutural, conforme Wundt definia, era a experincia em 
si que acontece antes da reflexo (denominada experincia imediata), livre de qualquer 
interpretao na qual ele inclua sensaes, percepes, sentimentos e emoes.
Para chegar at essa experincia o psiclogo deveria utilizar os mtodos da experimentao 
e introspeco. Por entender que a base do ajustamento do organismo  um processo 
psicofisico, ou seja, uma reao que ocorre no fisiolgico e no psicolgico, deve a ser 
estudado tanto o estmulo e a transmisso neural quanto os fenmenos mentais. Para tanto, 
entendia ser necessrio decompor a mente ou conscincia em seus componentes mais 
elementares. Isso significava que, diante de uma estimulao como de um som, o indivduo 
deveria estar treinado para reconhecer as vrias experincias que percebia em si, sob a 
estimulao sensorial, nesse caso, auditiva. A experincia deveria ser analisada em seus 
elementos e, ento, serem examinadas as conexes entre os diferentes elementos e as leis 
que regiam essas conexes. Seu problema era descrever os elementos que compunham a 
estrutura da mente.
Para que esse processo ocorresse de forma confivel era necessrio um ambiente prprio, 
um estmulo especfico, um sujeito treinado especialmente na introspeco (auto-
observao). Essas eram as regras da Psicologia wundtiniana:
1) O observador deve estar apto a determinar quando o processo deve ser introduzido;
2) Deve encontrar-se num estado de prontido ou ateno concentrada;
3) Deve ser passvel de repetir a observao numerosas vezes;
4) As condies experimentais devem ser capazes de variao em termos de manipulao 
controlada dos estmulos. Esta
ltima condio invoca a essncia do mtodo experimental:
46
 Escola Estrutural e Escola Funcional de Psicologia 
variar as condies da situao de estmulo e observar as mudanas resultantes nas 
experincias do sujeito. (Schultz, 1975, p. 76)
A introspeco era praticada por estudantes que passavam por um longo e rigoroso 
treinamento no mtodo introspectivo e, antes de serem capa citados a fornecer dados 
reconhecidos e confiveis, deveriam realizar mais ou menos 10 mil observaes 
introspectivas.
Resumindo, para a Escola Estrutural, a Psicologia Fisiolgica se
definia como a cincia da experincia imediata , possuindo:
J Objeto de estudo: a experincia imediata;
J Mtodo de estudo: introspeco, anlise e experimentao;
j
Problema: analisar os processos conscientes em seus elementos bsicos, descobrir como 
esses elementos esto interligados e determinar suas leis de conexo.
Com isso, Wundt, juntamente com outros estudiosos, mudou definitivamente as maneiras 
de estudo sobre o homem. Leia com ateno
esse texto de Edna Heidbreder (1933 p. 105).
 um estudo da alma certamente no era mais uma investigao pela anlise racional de sua 
simplicidade, substancia lidade e imortalidade. Era agora um estudo, por observao e 
experimento, de certas reaes do organismo humano, no includas no objeto de estudo de 
qualquer outra cincia. Os psiclogos alemes, apesar de suas muitas diferenas, estavam 
empenhados todos num empreendimento comum; e a capacidade, o engenho e a direo 
comum de seus trabalhos, tudo isso somado fez dos
desenvolvimentos nas universidades alems o centro do novo
movimento em Psicologia
Essa raiz da Psicologia foi transportada para os Estados Unidos por um dedicado aluno de 
Wundt chamado Edward Bradford Titchener
(1867-1927).
Titchener era ingls, estudou durante dois anos com Wundt e passou grande parte de sua 
vida na Universidade Comeu  EUA, onde tornou-se
uma
47
 Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos  {...] lenda viva {...] se 
bem que muitos membros do corpo
docente nunca o tivessem visto [ depois de 1900, s dava aulas nas tardes de segunda-feira 
do semestre da primavera de cada ano [ regia um pequeno conjunto orquestral em sua casa 
todos os domingos  tarde E...] colecionava moedas, e para entender os dizeres nelas 
gravados, aprendeu chins, rabe, dominava lnguas clssicas e algumas linguas modernas 
incluindo o russo. (Schultz pp. 98-9)
Continuou a tradio wundtiana, organizando de forma didtica e clara a Psicologia na 
Amrica. Suas idias podem ser conhecidas por meio dos livros Manual de psicologia, 
escrito em 1919, e Psicologia para principiantes, escrito em 1915, nos quais  possvel 
encontrar registros claros de seu pensamento. Para Titchener a Psicologia  a cincia da 
mente, isto  a mente pode ser descrita a partir de fatos observados.
H em Titchener uma viso dualista clara. Em Psicologia para
principiantes encontramos a seguinte definio de Psicologia e de Mente:
O mundo da fisica  incolor, sem som, nem frio nem quente; seus espaos tm sempre a 
mesma extenso; seus tempos so sempre da mesma durao, sua massa  invarivel; seria 
exatamente o que  agora se a humanidade fosse varrida da face da terra [ o mundo da 
Psicologia contm vistas e sons e sentimentos;  o mundo do claro-escuro, de rudo e 
silncio, do spero e do liso; o espao  algumas vezes amplo e outras, estreito, como se 
sabe toda gente adulta que tenha voltado a seu lar de inf o tempo s vezes  breve, s vezes 
 longo; [ contm tambm pensamentos, emoes, memrias, volies que so atribuidos 
naturalmente  mente [ a mente  simplesmente o nome inclusivo de todos estes 
fenmenos.
O problema da Psicologia era a anlise desses chamados fenmenos mentais que so 
divididos em trs classes: sensao (como unidades irredutveis do mundo mental), imagens 
(como persistncia da lembrana aps a retirada do estmulo sensorial) e sentimentos. Essas 
trs classes possuem qualidade, intensidade, durao e vivacidade. Portanto, nomear a 
sensao, identificar a intensidade com que ela se apresenta e registrar sua durao so 
trabalhos do sujeito experimental na Psicologia, objetivando
48
 Escola Estrutural e Escola Funcional de Psicologia
a decomposio dos elementos percebidos pelos rgos dos sentidos at um elemento 
irredutvel no mesmo sistema da decomposio de elementos que ocorre 
metodologicamente na qumica.
Para Titchener, a Psicologia era definida como uma cincia pura, sem interesses utilitrios 
ou aplicados, sem a preocupao com patologias, sistemas
sociais e econmicos ou condies culturais em que a mente opera.
Com o passar do tempo, muitas crticas foram sendo feitas ao mtodo introspectivo e  
viso fechada e restrita dirigida ao estudo dos processos cons cientes. Dessa forma, embora 
o Estruturalismo tenha dado identidade e estatura acadmica formal  Psicologia e tenha 
propiciado sua separao da Filosofia e da Fisiologia, ele se mantinha fechado num sistema 
ortodoxo, autoritrio e centralizador. As experincias realizadas em Leipzig e em Corneli 
foram a base de sustentao da Psicologia por mais de duas dcadas.
Quando Titchener morreu, em 1927, aos 60 anos, o Estruturalismo termi nou de desabar, 
mas em seu lugar novos pensamentos vinham florescendo.
4.2 Escola Funcional: William James
Os ataques em direo  Escola Estrutural vieram de frentes diferentes e no tiveram um 
lder especfico. Esses ataques se configuraram num movimento cujos princpios esto 
espalhados em muitos textos ricos, assinados por influentes pensadores, na sua maioria 
norte-americanos e principalmente da Universidade de Chicago. Dentre eles podemos citar 
o conceituado educador John Dewey (1859-1952), o psiclogo Harvey Carr (1873-1954) 
que incorporou ao objeto de estudo da Psicologia a pesquisa na rea dos processos 
psquicos, definindo a atividade mental como o funcionamento dos processos de aquisio, 
fixao, reteno, organizao e avaliao das experincias e a utilizao dessas 
experincias nas aes e Granville Stanley Hall (1844-1924) que, entre muitos trabalhos 
reconhecidos, dedicou-se  evoluo do funcionamento mental, estudando a criana, o 
adolescente e o idoso, chegando a ser chamado o Dan4in da mente . Tambm foi 
importante James McKeen Cattell (1860-1944) que iniciou uni movimento prtico em 
Psicologia, voltado para os testes e para o estudo das aptides humanas.
49
Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
Em Colmbia, surgiu, entre outros, Robert Sessions Woodworth (18691962), que deixou 
uma lista enorme de publicaes, nas quais encontramos uma preocupao com a 
investigao na linha da explicao do prprio organismo a partir da fora com que um 
estmulo provoca uma dada resposta.
Na Universidade Pensilvnia, Lightmer Witmer (1867-1956) abriu
a primeira clnica psicolgica e fundou a Psicologia Clnica, organizou
o primeiro curso sobre a disciplina, fundou e editou durante 29 anos a
revista Psychological Clinic e entendia que a Psicologia deveria ajudar
as pessoas a resolver problemas e no estudar o contedo da mente
(Schultz, p.84).
Lightmer se preocupou, tambm, com a educao especial, traba lhando com crianas 
encaminhadas por escolas e mdicos.
As principais caractersticas do surgimento dessa nova linha de pensa mento em Psicologia 
partem da oposio ao pensamento da Escola Estrutural e desenvolvem a idia da 
importncia do conhecimento do funcionamento da mente. Havia nos textos destes 
diferentes autores uma tendncia pragmtica, com apoio mais centralizado na Biologia do 
que na Fisiologia. Surgia, assim, uma tendncia a libertar-se das paredes e tcnicas de 
laboratrio.
O mundo estava se voltando para as diferenas individuais, para a fora da cultura e a 
Psicologia era forada a voltar suas investigaes para essas questes. O psiclogo devia 
estar onde o homem est, ou seja, nas escolas, nas clnicas nos hospitais. Deveria estar 
entendendo o funcionamento mental da criana, do deficiente mental, do idoso; deveria 
entender a sociedade em que este sujeito manifesta suas necessidades, assim como levar em 
considerao os padres culturais a ele oferecidos. A mente humana deveria ser entendida 
de forma plstica e em constante evoluo.
William James (1842-1910) , talvez, o principal funcionalista exa tamente por entender a 
mente em evoluo dinmica. Seus textos so fortes nesse sentido ao descrever o sujeito 
formado por trs eus. O primeiro, denominado eu material,  composto por todas as 
coisas que pertencem  pessoa, desde seu prprio corpo at suas roupas, propriedades, etc. 
Ele dizia que ao variar o eu material variariam os sentimentos de modo que se o sujeito 
aumenta seus bens materiais  inundado por sentimentos de alegria
50
Escola Estrutural e Escola Funcional de Psicologia
e se perde suas posses  assolado por sentimentos de tristeza. A segunda instncia  
denominada eu social e diz respeito s diferentes relaes possveis entre pessoas, 
envolvendo os grupos sociais que pertena, quer familiar, de lazer, religioso ou poltico, 
quer de vizinhana, trabalho, etc. Tambm aqui as alteraes provocam sentimentos. E, por 
fim, o eu espiritual que envolve as capacidades intelectuais, sentimentos, vontades e 
faculdades psquicas.
 no eu espiritual, segundo James, que as experincias so significadas e abstradas. Os 
trs eus formam o eu emprico, em que diferentes componentes transitam, nem sempre 
em harmonia. Em The principies of psychology (p. 310) ele exemplifica:
Eu que at agora me apliquei inteiramente em ser psiclogo, sofro se outros conhecem 
muito mais psicologia do que eu; porm, estou satisfeito em chafurdar-me na maior 
ignorncia do idioma grego. Neste caso, as minhas deficincias no me fazem me sentir 
humilhado. Tivesse eu pretenses de ser lingista, teria sido exatamente o contrrio. Assim, 
podemos observar o paradoxo de um homem que se sente envergonhado s por ser o 
segundo pugilista ou o segundo remador do mundo. O fato de que ele seja capaz de 
derrubar toda a populao do globo menos um nada significa; comprometeu-se a derrotar 
aquele nico homem; enquanto no o fizer, nada mais importa. Aos seus prprios olhos, ele 
 incapaz de derrotar quem quer que seja; e, se ele assim pensa, ele assim .
Estudioso da personalidade, James pesquisou casos de personalidades mltiplas, 
dissociaes, processos intelectuais, instinto, emoes, hbito, ateno e em cada estudo foi 
apontando para a fora do aprendizado. Seu livro The principies ofpsychology tratou 
definitivamente a Psicologia como cincia natural. Com nfase na Biologia, ele buscou 
entender os processos mentais como atividades necessrias para os seres vivos, dotados de 
emoo e ao assim como de conhecimento e razo, sem se esquecer do lado irracional 
que habita o homem, explicando que a mente funciona de forma contnua, seletiva, e que 
sua funo bsica  a adaptao do homem ao seu meio, capacitando-o a fazer escolhas.
Quanto ao mtodo da introspeco, James considerava como
51
Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
 um exerccio natural, que consistia em capturar a prpria vida de um momento que 
passou, em fixar e descrever o fugaz evento ao ocorrer em seu contexto natural. No era a 
introspeco do laboratrio, ajudada por instrumentos; era a rpida e segura captura de uma 
impresso por um observador sensvel e arguto (Heidbreder, 1933, p. 171).
Nas caractersticas do pensamento de William James visualisamos as caractersticas do 
sistema da Escola Funcional. A atividade mental era o objeto de estudo para o psiclogo 
funcionalista, entendendo-se como atividade mental categorias dinmicas e distintas, 
apoiadas no organismo fisico do qual o aparelho psquico participa.
Os mtodos para o estudo da atividade mental so a introspeco, tambm utilizada na 
Escola Estrutural, e a observao tanto objetiva (relativa  apreenso da atividade mental 
presente no comportamento de um sujeito observado) quanto subjetiva (relativa  apreenso 
da prpria operao mental do observador).
A Escola Funcional pretendeu compreender tanto o comportamento
e suas inter-relaes complexas e contnuas quanto a conscincia, abrindo
um campo de interesse anteriormente hermtico na Escola Estrutural,
tomando-se a principal corrente de Psicologia e ampliando os campos de
estudo e pesquisa para a compreenso do homem sempre em transformao
e a partir das diferenas individuais.
Faltou-lhe, no entanto, fora de integrao, liderana e sistematizao.
Segundo Keller (1972, p. 71, 72):
 s na oposio ao Estruturalismo, na nfase sobre a adaptao biolgica e no apreo 
pela utilidade que o funcio nalismo permanece como um movimento unitrio na histria da 
psicologia moderna [ se sua fora como escola foi dificil avaliar, deve-se provavelmente ao 
fato de que outra escola a substituiu antes que de fato tivesse atingido a maioridade.
Assim temos o incio de uma cincia nas suas tentativas de descobrir os segredos do 
funcionamento mental humano, fortemente dominada pelo pensamento emprico. A Escola 
Funcional criou a base de sustentao necessria para a solidificao da Psicologia 
Experimental, ganhando mais fora nos Estados Unidos do que na Europa.
52
Escola Estrutural e Escola Funcional de Psicologia
A Psicologia Experimental americana criou, entre 1880 e 1890, labora trios muito bem 
equipados, revistas, programas de graduao estruturados e grande nmero de doutores, 
gerando uma liderana indiscutvel no universo acadmico e iniciando a prtica da 
Psicologia em algumas reas.
53
